Um time de vôlei de meninas e um de meninos
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Ela era filha única. Ansiava por companhias. Queria irmãos. Meninas e meninos. Mas eles não vieram. Até que um dia começou a namorar. Era uma moça de namoros sérios, firmes e longos, em parte, pois quando o namorado se referia a famílias grandes com ar de escárnio, o namoro acabava ali. Não dizia o motivo. Só acabava o namoro. Dizia para si mesma que só se casaria com um homem que desejasse família grande. Era um segredo dela. Pulou de namorado em namorado até encontrar Jessé que um dia, tentando avançar mais no rela-rela, disse, baixinho, que queria ter com ela um time de vôlei de meninas e um de meninas.
Ela arregalou os olhos e indagou: quantos, então?E ele, mais espantado ainda do que ela: sério? E caíram nas risadas... E o rela-rela se consumou...

Casaram-se. Não tiveram filhos. Jessé era estéril. Peregrinaram por muitos médicos. Não quiseram filhos de proveta. Resolveram montar um orfanato em casa. Dois times de vôlei. Um de meninos e um de meninas. Rigorosamente. Criaram a filharada fazendo patchwork. Estão na terceira geração de times de vôlei. Só entra um novo membro quando há vaga.
([Making a Patchwork, Charles Edward Wilson (British painter, 1854-1941)]
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