+ das preces ribeirinhas de douglas D.
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(patrice besso)
eu vi a cara do tempo
e soube dentro dos ossos
eu vi a cara do tempo
e soube dentro dos ossos
que era hora de virar paisagem
& saltar nas folhas em branco
do meu caderno de desenho
pra ser rio sorrindo peixes
pra ser pedra estancando a dor
pra ser libélula guardando silêncio
antes da primavera chegar
a lua sabe do silêncio
o silêncio sabe de ti
da tua alma
dos teus segredos
dos teus medos
das tuas ilusões
e das brincadeiras que um dia teus filhos
brincarão
mas tu ainda esperas
por esse deus que só traz abandono e miséria
por esse deus que descansa enquanto sofres
por esse deus que não registra os mortos
nem os vivos
porque escreve por linhas tortas
e ignora a dor
dos filhos teus
que dele os são
também.
22.06.2006
PRECE DA PRIMEIRA AURORA
naquele quarto, esquecia o medo
era criança demais pra ser notado
achava que deus tinha ouvidos cheios de cera
e enormes olhos de vidro
rabiscava palavras que antecediam murmúrios
seus dedos acolhiam pequenos lamentos
frágeis círculos na arte de sonhar mundos
e cores que ninguém sabia
tinha brinquedos dos quais jamais se separava
forte-apache, autorama, fura-fura
todas as árvores do fundo do quintal
e os bichos imaginários feitos de nuvens
naqueles dias a infância chegava cedo
antes mesmo das sombras que o sol trazia
não havia desamor nem desespero
e não se morria dia após dia.
(22.05.2006)

Por quanto tempo mais, Senhor
Essas águas levarão
Pra longe daqui
Tudo que eu amo?
Diz-me, Senhor
Mesmo que em silêncio
Pois eu preciso de um sinal
Que me erga e me faça crer
Eu queria redenção
E você trouxe abandono
Eu queria esperança
E você trouxe rancor
Por quanto tempo mais, Senhor
Haverei de ser esse arremedo
Essa fratura exposta ao nada
Esse eco tragado pelo vazio?
Diz-me, Senhor
Mesmo que em desgraça
Pois eu preciso de um momento
Que me arranque daqui
Eu queria amor
E você trouxe desprezo
Eu queria quietude
E você trouxe solidão .
(22.06.2006)
Autor(a): douglas D.
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