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LEMBRANÇAS QUE O TEMPO NÃO APAGA - Reminiscências II

8 Comentário(s)

(Por do sol em Pombal-PB)


Em qualquer época sempre houve a formação de grupos de adolescentes românticos, sonhadores, sem pressa para definir seus projetos de futuro. Foi assim no meu tempo. Tenho certeza de que hoje as coisas continuam como dantes, porem, sem aquela ingenuidade de outrora.
Assim como hoje os adolescentes da minha época vivam em grupos. O nosso grupo era eclético, em termos de núcleo residencial, posto que, éramos formados por jovens moradores da Rua do Comércio e da Rua da Cruz. O banho no rio era a nossa diversão, mas, a nossa maior diversão, sem dúvida, era o futebol.
os dias de férias escolares, com certa freqüência, fazíamos caminhadas pela beira do rio. Quase sempre o nosso ponto de parada era o poço da panela. Era um lugar por nós procurado para os nossos banhos matinais.
O banho era emocionante em função do risco que o lugar nos submetia. Escolhíamos a pedra mais alta para um salto de ponta, cujo espaço reservado para o mergulho era mínimo, em razão da existência de duas pedras posicionadas de forma paralela, lá em baixo, a nos esperar. Tínhamos que pular com os braços apontados em direção a água para evitar choques com as malditas pedras. Era muita emoção, antes e depois do salto.
Foram essas pedras que ceifaram a vida de Jair Alcântara. Este jovem, ao saltar, por uma razão qualquer, talvez tenha se desconcentrado, perdeu o equilíbrio, bateu de testa numa das pedras. Foi uma correria e tanto. O sangue veio a superfície anunciando que algo deu errado.
Não deu tempo sequer para que alguém ouvisse o seu último suspiro. Era assim mesmo, um passo em falso seria fatal. Jair deu esse passo, ao saltar para o último mergulho no velho poço da panela. Daí por diante ninguém mais ousou mergulhar naquele lugar.
O nosso grupo antecedeu ao grupo de Jair. Éramos bons nadadores, sobretudo habilidosos no momento do salto. A panela não era o único poço onde nos banhávamos. Às vezes descíamos até os poços do Redondo, da Camboa na busca de novas aventuras. O poço do Araçá era outra opção. Apenas os iniciantes o procuravam, posto que, funcionava como uma escolinha preparatória para quem quisesse enfrentar os perigosos desafios do poço da panela.



(Pombal-PB)


Quando a gente retornava, dávamos uma passada pela Pedra do Sino a fim de tirar um som o qual se assemelhava ao som do sino da Igreja Matriz. Não sabíamos a que se devia a sonoridade daquela pedra. Depois, com o passar do tempo, soubemos que a pedra do sino era única, pois, não havia outra igual. Era resultante de uma liga petrificada, composta de materiais ferrosos diversos, responsáveis pela sonoridade que extraíamos a tocá-la com outra pedra.
O fato triste foi o desaparecimento misterioso da Pedra do Sino. Se alguém a roubou, até hoje ninguém sabe, ninguém viu. De outra forma, se foi transformada em pedras pra calçamento, também, ninguém sabe. Se por razões outras foi levada pra algum lugar distante, com certeza, teve de ser fatiada, pois era um bloco monolítico de enorme proporção. Assim sendo, era impossível ser conduzido através dos meios de transportes ditos convencionais.





Afora as travessuras que fazíamos rio abaixo, sempre em grupo, deslocávamos para outras partes da cidade a fim de desafiar outros jovens adolescentes através de disputadíssimas partidas de futebol. Brigas? Era coisa rara. Vez por outra havia alguns estranhamentos, mas eram resolvidos em tempo hábil para evitar enfrentamentos generalizados entre os grupos.
Quase sempre os acertos para disputas futebolísticas eram feitos no Grupo Escolar João da Mata. Essa unidade de ensino foi o ambiente mais representativo da convivência social pacifica, entre jovens de classes sociais diferentes.
Considero aquela velha unidade de ensino, um exemplo de democracia social onde se misturavam ricos e pobres, brancos pretos, meninos e meninas. Todos coexistiam pacificamente. Nos intervalos, os amigos da Rua da Cruz engrossavam nossas fileiras, o que nos fazia um grupo forte, por isso respeitado.
Dada essa representatividade do nosso grupo éramos procurados por outros grupos com a finalidade de marcar encontros em ambientes apropriados para o lazer futebolistico, nos finais de semana. No próximo texto falarei sobre esses bons momentos que guardo na memória em cores vivas e irretocáveis. Até breve...


João Pessoa (PB), 21 de maio de 2012
FONTE:
O Bê-a-bá do Sertão
Ignácio Tavares (de Araújo) é graduado em Economia com especialização em Planejamento e Pesquisa Sócio-Econômica. Professor da disciplina "Micro Economia" do Departamento de Economia da UFPB e Economista aposentado da Secretaria Estadual de Planejamento do Estado da Paraíba.
Contato:
itavaresaraujo@yahoo.com.br
(O Rio Piancó é um rio brasileiro que banha o estado da Paraíba. Nasce no município de Conceição, e dá origem ao Vale do Piancó, onde se encontra Coremas, uma das maiores barragens brasileiras).

 (Rio Pombal, Pombal-PB)
O Site Lima Coelho já publicou de Ignácio Tavares:
Velho trem: boas recordações (12.04.2011)
www.limacoelho.jor.br/vitrine/ler.php?id=5102
As coisas de ontem (17.08.2011)

www.limacoelho.jor.br/vitrine/ler.php?id=6001
Duas figuras enigmáticas (09.09.2011)

www.limacoelho.jor.br/vitrine/ler.php?id=6179
No tempo da bolacha peteca (17.09.2011)

www.limacoelho.jor.br/vitrine/ler.php?id=6240
Velho Piancó: dádiva desperdiçada (06.10.2010)

www.limacoelho.jor.br/vitrine/ler.php?id=6394
Escrever: devagarinho e sempre? (25.10.2011)

www.limacoelho.jor.br/vitrine/ler.php?id=6550
Os notívagos de antigamente (26.02.2012)

www.limacoelho.jor.br/vitrine/ler.php?id=7150
O menino pescador: o sonho que não se realizou (15.03.2012)www.limacoelho.jor.br/vitrine/ler.php?id=7220
ADOLESCENTES DE ANTANHO: Éramos felizes e...... (23.04.2012)www.limacoelho.jor.br/vitrine/ler.php?id=7413



Autor(a): Ignácio Tavares


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