Bicicleta de recados
12 Comentário(s)

Na minha bicicleta de recadoseu vou pelos caminhos.Pedalo nas palavras atravesso as cidadesbato às portas das casas e vêm homens espantadosouvir o meu recado ouvir minha canção.Na minha bicicleta de recadoseu vou pelos caminhos.Vem gente para a rua a ver a novidadecomo se fosse a chegadado João que foi à Índiae era o moço mais galanteque havia nas redondezas.Eu não sou o João que foi à Índiamas trago todos os soldados que partirame as cartas que não escreverame as saudades que tiveramna minha bicicleta de recadosatravessando a madrugada dos poemas.Desde o Minho ao Algarveeu vou pelos caminhos.E vêm homens perguntar se houve milagreperguntam pela chuva que já tardaperguntam pelos filhos que foram à guerraperguntam pelo sol perguntam pela vidae vêm homens espantados às janelasouvir o meu recado ouvir minha canção.Porque eu trago notícias de todos os filhoseu trago a chuva e o sol e a promessa dos trigose um cesto carregado de vindimaeu trago a vidana minha bicicleta de recadosatravessando a madrugada dos poemas.
FONTE: Poemas do Mundo
http://poemasdomundo.wordpress.com/2007/01/30/bicicleta-de-recados/
Manuel Alegre de Melo Duarte - Poeta e político português (Águeda, 1936). Como político, distinguiu-se na oposição ao regime salazarista e marcelista, tendo conhecido o exílio. Após 1974 foi governante e deputado socialista. A sua poesia combina a intenção política com uma dimensão lírica influenciada pela poesia trovadoresca e quinhentista. Para além do tom épico, tem também grande musicalidade, o que faz com que seja muito cantada. Obras principais: Praça da Canção (1965), O Canto e as Armas (1967), Atlântico (1981) e Com Que Pena, Vinte Poemas para Camões (1992).Biografia retirada da Enciclopédia Verbo na Internet 

O Site Lima Coelho já publicou de Manuel Alegre:"Não te deixes murchar. Há sempre uma candeia dentro da própria desgraça" (29.05.2008). Cão como nós. Letra para um hino. Sobre um mote de Camões. Trova do vento que passawww.limacoelho.jor.br/vitrine/ler.php?id=1453Conto de Natal: A estrela (21.12.2008)www.limacoelho.jor.br/vitrine/ler.php?id=2289 Autor(a): Manuel Alegre
Ver Comentários (12)
(12)COMENTÁRIOS
uaaaaaaaaaaaau adorei zilhões
Comentário Enviado Por: Magda Em: 28/6/2012
Que bela!
Comentário Enviado Por: Maria Júlia Em: 28/6/2012
Meu Deus, que linda poesia!!!!!!!
Comentário Enviado Por: Débora dos Santos Lima Em: 28/6/2012
Um poema lindo. Esse português é um poeta de verdade.
Comentário Enviado Por: william porto Em: 27/6/2012
Prometo que vou ler mais poesias de Manuel Alegre
Comentário Enviado Por: Josilda Brandão Em: 27/6/2012
Manuel Alegre é genial
Comentário Enviado Por: Eline das Chagas Em: 27/6/2012
Por Deus, que bela!
Comentário Enviado Por: Paula Moreira Em: 27/6/2012
Muito linda
Comentário Enviado Por: Carla Porto Em: 27/6/2012
Uma poesia divina .........
Obra literária Além da actividade política, saliente-se o seu proeminente labor literário, quer como poeta, quer como ficcionista. Entre os seus inúmeros poemas musicados contam-se a Trova do vento que passa, cantada por Adriano Correia de Oliveira, Amália Rodrigues, entre muitos outros. Reconhecido além fronteiras, é o único autor português incluído na antologia Cent poemes sur l'exil, editada pela Liga dos Direitos do Homem, em França (1993). Em Abril de 2010, a Universidade de Pádua, em Itália, inaugurou a Cátedra Manuel Alegre, destinada ao estudo da Língua, Literatura e Cultura Portuguesas. Pelo conjunto da sua obra recebeu, entre outros, o Prémio Pessoa (1999) e o Grande Prémio de Poesia da Associação Portuguesa de Escritores (1998). É sócio-correspondente da Classe de Letras da Academia das Ciências de Lisboa, eleito em 2005. Poesia 1965 - Praça da Canção 1967 - O Canto e as Armas 1971 - Um Barco para Ítaca 1976 - Coisa Amar (Coisas do Mar) 1979 - Nova do Achamento 1981 - Atlântico 1983 - Babilónia 1984 - Chegar Aqui 1984 - Aicha Conticha 1991 - A Rosa e o Compasso 1992 - Com que Pena — Vinte Poemas para Camões 1993 - Sonetos do Obscuro Quê 1995 - Coimbra Nunca Vista 1996 - As Naus de Verde Pinho 1996 - Alentejo e Ninguém 1997 - Che 1998 - Pico 1998 - Senhora das Tempestades 2001 - Livro do Português Errante 2008 - Nambuangongo, Meu Amor 2008 - Sete Partidas Ficção 1989 - Jornada de África 1989 - O Homem do País Azul 1995 - Alma 1998 - A Terceira Rosa 1999 - Uma Carga de Cavalaria 2002 - Cão Como Nós 2003 - Rafael Literatura Infantil 2007 - BARBI-RUIVO, O meu primeiro Camões, ilustrações de André Letria, Publicações Dom Quixote, 1ª edição, Novembro de 2007 2009 - O PRÍNCIPE DO RIO, ilustrações de Danuta Wojciechowska, Publicações Dom Quixote, Abril de 2009 Outros 1997 - Contra a Corrente (discursos e textos políticos) 2002 - Arte de Marear (ensaios) 2006 - O Futebol e a Vida, Do Euro 2004 ao Mundial 2006. (crónicas) Principais condecorações e medalhas Grã-Cruz da Ordem da Liberdade, Portugal Orden Jugoslovenske Zvesde sa Zlatnim Vencem Condecoração atribuída pelo Reino de Marrocos Comenda da Ordem de Isabel, a Católica, Espanha Grande Oficial da Ordem de Bernardo O’Higgins, Chile Ordem de Mérito Nacional da Argélia, "DJADIR", atribuída pelo Presidente Bouteflika em 31.05.2005 Grande Oficial da Ordem "Stella Della Solidarietá" Italiana, atribuída pelo Presidente de Itália em 2.06.08 1º Grau da Ordem Amílcar Cabral, Cabo Verde Medalha de Mérito do Conselho da Europa, de que é Membro Honorário Medalha de Honra da Sociedade Portuguesa de Autores em 21.05.08 Medalha da Cidade de Veneza, por ocasião do Convénio Internacional "La Porta d’Oriente -Viaggi e Poesia", Novembro de 1999 Medalha de Ouro da Cidade de Águeda, sua terra natal Medalha da Cidade de Pádua, atribuída a 19 de Abril de 2010, tendo sido agraciado com o título de cidadão honorário .
Comentário Enviado Por: Sandra Almeida Em: 27/6/2012
Uma poesia magnífica
Comentário Enviado Por: Viviane Lucena Em: 27/6/2012
É um poeta que toca o coração. Adorei a poesia, mas destaco:
"Porque eu trago notícias de todos os filhos
eu trago a chuva e o sol e a promessa dos trigos
e um cesto carregado de vindima
eu trago a vida
na minha bicicleta de recados
atravessando a madrugada dos poemas."
Comentário Enviado Por: Mister X Em: 27/6/2012
Manuel Alegre é um poeta de nomeada
Comentário Enviado Por: Jr. Em: 27/6/2012
>> LEIA MAIS VITRINE LITERÁRIA
PUBLICAÇÕES RELACIONADAS