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Perfume de Resedá

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(...) naquele tempo
a cidade ria
e acolhia o delírio de seus doidos de estimação
zé honório jaime-doido paca-preto nicinha
manelavião joaninha dondon
doidos respeitados e queridos
doidos mansos
bem assentados
na sala de minha avó
comendo pão com café
e contando histórias fabulosas


(vó sazinha filosofava
que deus nosso senhor
criara duas nações de gente
uma
a dos doidos mansos
premiados com o delírio de flutuar eternamente
em odor de santidade
outra
a dos normais
condenados ao horror da sanidade
até purgarem as culpas
atingirem a purificação
e assim ganharem o direito de voar sem asas)


daí o acolhimento e o respeito
que até hoje nutro às virtudes da doidice
e insisto com tanta determinação
na certeza de que um dia
todos os homens e mulheres andarão sobre as nuvens
pois eu mesmo
com o tempo e algum esforço
adquiri a capacidade de enxergar no escuro
e acreditar no moto-perpétuo
que meu pai perseguiu
na trilha aberta
por leonardo da senhora das dores castelo branco
entre ímãs rolamentos cálculos e engenhos
nas madrugadas de febre
solitário em seu delírio
para provar que o impossível
é apenas o que ainda não se fez acontecer (...)



Ficheiro:Lagerstroemia indica 3.jpg(Lagerstroemia indica (L.) Pers., popularmente conhecido como extremosa, escumilha, resedá ou árvore-de-júpiter, é uma planta da família Lythraceae, nativa da República Popular da China e Índia. A espécie foi introduzida nos Estados Unidos em 1790 pelo botânico Andre Michaux e é cultivada hoje em dia como árvore ornamental).
__________
Edmar,
Te envio trecho do longo poema "Perfume de resedá" (...) É uma rememoração poética da Teresina do meu/teu/nosso tempo. Uma declaração de amor à cidade sempre tão querida, apesar da distância em que vivemos dela. PJ (
30 de abril de 2009)
FONTE: Piauinauta

PAULO JOSÉ CUNHA Paulo José Cunha - poeta, jornalista, professor e documentarista piauiense que nasceu no Rio de Janeiro e vive em Brasília. Publicou em 1984 seu primeiro livro de poemas, Salto sem Trapézio (Senado Federal, Coleção Lima Barreto, Vol. 5, Brasília) e 25 anos depois lançou o segundo, Perfume de Resedá, uma coleção de memórias prefaciadas pelo poeta H. Dobal, sob o selo da editora Oficina da Palavra, de Teresina. Participou das antologias Poesia de Brasília (org. Joanyr de Oliveira) e Mais Uns – Coletivo de Poetas (coord. Menezes y Moraes).
Publicou também dois livros de arte sobre a festa dos bois-bumbás de Parintins, Vermelho – Um Pessoal Garantido e Caprichoso – A Terra do Azul, além dequatro grandes edições de Grande Enciclopédia Internacional de Piauiês. Em 1978, lançou A Noite das Reformas, um livro-reportagemsobre os bastidores da votação da emenda que extinguiu o AI-5. Como jornalista trabalhou nas sucursais da TV Globo e de O Globo, Rádio Nacional e Jornal do Brasil, em Brasília. Atualmente é âncora de três programas na TV Câmara e leciona na Faculdade de Comunicação da Universidade de Brasília.
Primo do tropicalista
Torquato Neto, PJC recebeu do poeta H. Dobal o seguinte comentário pelos poemas de O Salto Sem Trapézio: “O jornalismo e a juventude lhe deram a possibilidade de usar temas e linguagem atuais, sem o perigo de cair no vulgarismo e no artificialismo dos modismos passageiros. E quanto a isto, sua poesia tem um aspecto único”.
Sobre Perfume de Resedá, H. Dobal, que faleceu em maio deste 2009, deixou registrado: “Uma das funções da poesia é desencantar lembranças, sujeita, no entanto, ao risco de tornar-se apenas uma prosaica enumeração. PJC cumpre esta função, evitando este risco. O seu mundo poético surge da poesia intrínseca das lembranças, realçada pelo poder que as palavras adquirem no contexto.”


FONTE: Antônio Miranda

Autor de “Enciclopédia do Piauiês” lança memória poética “Perfume de Resedá”
Paulo José Cunha lança memorial poético sobre sua infância em Teresina.

Carlos Lustosa Filho


O universo teresinense e da zona rural do Piauí visto através dos poéticos olhos de uma criança. É esta a proposta do livro “Perfume de Resedá”, do escritor José Paulo Cunha, que será lançado às 19h desta quarta (29) no Espaço Eventos, no bairro Jóquei, próximo ao Posto 6.

“O livro é um memorial poético, um resumo das memórias vividas ou inventadas. A invenção faz parte integrante das memórias”, descreve o autor revelando como foi o processo de registrar suas lembranças de menino no papel. “Menino não mente, não inventa. (Quando era criança,) a praça Pedro II era um mundo. Hoje eu vejo pequena, mas eu a retrato como via naquele tempo”, afirma.



Foto: Carlos Lustosa Filho/CidadeVerde.com


 

Um personagem importante no livro, segundo Cunha é a casa de seu avô, a Fazenda Bonito, na zona rural de Alto Longá. “Foi lá onde eu tinha contato com riachos, a vida dos vaqueiros, os pássaros”, afirma.

“Perfume de Resedá”, segundo livro de poesia do escritor, demorou 25 anos para ser concluído. “Eu não tinha pressa, fui escrevendo aos poucos. Até quando o meu computador deu uma pane”, revela Cunha justificando o fato de ter apressado a obra. Hoje em dia ele revela que não deixa de fazer um backup de seus arquivos digitais, tanto em mídia quanto em papel.

20.07.2009
FONTE: Cidade Verde
+ poesias de Paulo José Cunha

Autor(a): Paulo José Cunha


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