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A missão

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Uma das coisas mais difíceis na vida é dizer um sonoro não aos insistentes. Imagino como deve ser a vida de políticos em momentos de formação de gabinete, secretariado e ministério.
O pior mesmo são aqueles sujeitos que não pedem, exigem. Méritos discutíveis, bolsos sem fundos, mas estão sempre ali, na fila dos desesperados pelo poder. Coisa feia.
Aqui, na vida desta cronista (?), tem acontecido coisa parecida. Outro dia, por exaustão, dispensei uns clientes da Freguesia do Ó. Mas eles voltam, sem escolher hora, pedem, alguns exigem, outros ficam visivelmente decepcionados. Não querem entender que muitos são os candidatos e poucos serão os eleitos. Que já não pertencem mais a esta circunscrição.
Aqui pra vocês, ó!
Pois bem, deixa eu dizer do Antonio Cabeludo. É o mais apressadinho. Passou quase dez minutos para me revelar seu nome.
Avisado que sua mãe estava morrendo, resolveu calçar os sapatos, amarrar os cadarços, abotoar a camisa, pentear os cabelos, passar um desodorante, esculhambar a mulher e tomar um copo d'água. Ainda deu um tempinho de tomar um gole de cana no primeiro boteco. Depois correu até onde estava a distinta senhora. Já tinha falecido fazia meia hora. Inconsolado, jogando a culpa nos malditos sapatos, nunca mais fez uso deles.
Ao lado dele, maluco beleza, Seu Luisão, que não me contou, mas acho que foi Rei Momo.
Este era um fazedor de piadas nem sempre de boa qualidade e pureza. Pois bem, num desses planos econômicos (no tempo do Território Federal do Acre já havia isso), recebeu uma bolada boa. Meteu a grana num saco plástico, amarrou bem amarrado no pé direito e saiu arrastando aquele troço pela cidade inteira. Perguntado sobre a doideira, respondeu:
– Sempre corri atrás de dinheiro. Agora, meu filho, ele é que tem que correr atrás de mim!
Alguém riu?
Olho mais adiante e vejo um sujeito com cara de sacana. Foi um comedor inveterado. Se duvidasse, comia pai, comia a mãe, comia a filha, comia toda a família e a família dos outros. Desse eu não falo. Isso aqui não é o Diário da Bruna Surfistinha. E ponto final. Paciência tem limites!
Novamente tive de dispensar velhos conhecidos. Não tem espaço para todos. Eles se foram. Alguns convencidos, outros, nem tanto.

Leila Jalul, procuradora aposentada da Universidade Federal do Acre. Autora de Suindara (Fortaleza: Expressão Gráfica e Editora LTDA, 2007) e Absinto Maior (2007)


leilajalul@gmail.com

O Site Lima Coelho já publicou de Leila Jalul:
35. À putanesca (05.10.2008)
 
www.limacoelho.jor.br/vitrine/ler.php?id=2021
34. Ruyzinho e o espantalho (30.09.2008)
 
www.limacoelho.jor.br/vitrine/ler.php?id=1991
33. Notre École (25.09.2008)www.limacoelho.jor.br/vitrine/ler.php?id=1970
32. O grande mentor do Maranhão & receita de felicidade (21.09.2008)www.limacoelho.jor.br/vitrine/ler.php?id=1951
31. Um tapinha dói (20.09.2008)
 
www.limacoelho.jor.br/vitrine/ler.php?id=1947
30. Pau surdo-mudo (15.09.2008)www.limacoelho.jor.br/vitrine/ler.php?id=1921
29. Freguesia do Ó (07.09.2008)
 
www.limacoelho.jor.br/vitrine/ler.php?id=1910
28. Balaio de gato (03.09.2008)
 
www.limacoelho.jor.br/vitrine/ler.php?id=1893
27. Ruyzinho, o erê chorão (30.08.2008)
 
www.limacoelho.jor.br/vitrine/ler.php?id=1870
26. Ana do Botão (28.08.2008)
 
www.limacoelho.jor.br/vitrine/ler.php?id=1862
25. Ruyzinho, o fiel escudeiro (21.08.2008
 
www.limacoelho.jor.br/vitrine/ler.php?id=1835
24. Chico, meu irmão (18.08.2008)
 
www.limacoelho.jor.br/vitrine/ler.php?id=1816
23. Teúda e manteúda (12.08.2008)
 
www.limacoelho.jor.br/vitrine/ler.php?id=1788
22. Monstros do bem, em letras miúdas (09.08.2008)
 
www.limacoelho.jor.br/vitrine/ler.php?id=1770
21. Minhas Férias (04.08.2008)
 
www.limacoelho.jor.br/vitrine/ler.php?id=1752
20. A doutora babaca e o cego sabichão
 (20.08.2008)
 
www.limacoelho.jor.br/vitrine/ler.php?id=1745
19. Totó das tetéias (30.07.2008)
 
www.limacoelho.jor.br/vitrine/ler.php?id=1728
18. Patrão Neurótico, Mucama Nervosa (27.07.2008)
 
www.limacoelho.jor.br/vitrine/ler.php?id=1717
17. Fogo na Neve (23.07.2008)
 
www.limacoelho.jor.br/vitrine/ler.php?id=1694
16. Deixai vir a mim as criancinhas (22.07.2008)
 
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15. Cine Biriba (14.07.2008)
 
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14. O marido da tia (10.07.2008)
 
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13. Cabochá (06.07.2008)
 
www.limacoelho.jor.br/vitrine/ler.php?id=1620
12. Concerto para um eremita (02.07.2008)
 
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11. Pequeno engano (30.06.2008)
 
www.limacoelho.jor.br/vitrine/ler.php?id=1595
10. Uma valsa para Dalmir (28.06.2008)
 
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9. Tapa na cara + Entrevista Rita Levi-Montalcini (25.06.2008)
 
www.limacoelho.jor.br/vitrine/ler.php?id=1572
8. Liquido-me apenas hoje: poemas de Leila Jalul (22.06.2008)
 
www.limacoelho.jor.br/vitrine/ler.php?id=1556
7. A farsante (20.06.2008)
 
www.limacoelho.jor.br/vitrine/ler.php?id=1550
6. “Mi marido me olvido” (Ou melhor esquecer)- (11.06.2008)
 
www.limacoelho.jor.br/vitrine/ler.php?id=1502
5. Mãe Nhá Eugênia (08.06.2008)
 
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4. Ruizynho, a carpideira-mor (30.05.2008)
 
www.limacoelho.jor.br/vitrine/ler.php?id=1457
3. A  ponte do Rio Coração (26.05.2008)
 
www.limacoelho.jor.br/vitrine/ler.php?id=1443
2. Chiquinha e Coralina (24.05.2008)
 
www.limacoelho.jor.br/vitrine/ler.php?id=1431
1. Não apresse o rio (31.03.2008)
 
www.limacoelho.jor.br/vitrine/ler.php?id=1318



Autor(a): Leila Jalul


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