Pesos e medidas

Casada e feliz há mais de dez anos foi com surpresa que se viu apaixonada. Custou a crer. Mas rendeu-se aos fatos, sem medos. Por certo tempo curtiu muito. Depois foi acometida de pesadelos. Acordava suando frio e olhava o marido dormindo tranqüilo ao seu lado. O mais difícil era transar com os dois no mesmo dia. Depois foi acostumando. E se acahava  a tal... O difícil foi suportar as cobranças do amante para que ela abandonasse o marido e ficasse com ele. Em troca de que, ela indagou? Ele respondeu: do nosso amor. É pouco, disse ela... Pesou e mediu as palavras, tentando conter a ira, e acrescentou:  Deixa de ser cara de pau. Como tem coragem de exigir que eu deixe de morar num belo apartamento na Zona Sul, com serviçais; tenho cozinheira, copeira, mordomo e motorista; bons e luxuosos carros; e viagens duas vezes por ano

Separação

Meus olhos não se casam de olharAo longo da estrada ainda mirar.Antes da curva, quero adivinhar.Levas contigo meu direito de sonhar.Não queria mais amar...Para não mais me amargurar.Mais o destino tratou de arrumarUm jeitinho de nos aproximarAgora te leva sem nos prepararSem motivos pra argumentarFazendo-me acreditar...Que tudo passou, acabou...Sem nem mesmo deixarMotivo para se explicar.  Para ler outras poesias da autora no Site Lima Coelho, no Menu "categorias", e em Índice por Autor(a), clique em Lucivani Lourenço Matos.

As revelações no velório


Rubinaldo, homem ainda moço, bonitão, cheio de vida e de problemas amorosos, havia sofrido um repentino ataque do coração e caído indubitavelmente morto. Arroxeou no mesmo instante, numa cor que parecia outra pessoa. Agora estava sendo velado, pranteado por familiares, parentes e até desconhecidos. Fato curioso é que morreu solteiro, porém mantendo três amantes ao mesmo tempo, dando manutenção de casa, comida e tudo mais.Mesmo se odiando, querendo se comer uma a outra, as três amantes estavam ali chorando a dor da perda, o lamento da despedida do macho. Mas cada uma num canto para evitar confusões, e cada uma tendo ao lado uma boa amiga para prestar o devido e necessário consolo.Uma dessas amigas dizia: “Chore não Bibiana, que Rubinaldo não merece suas lágrimas. Veja ali no canto aquela sirigaita chorando també

CRIME & RELIGIÃO: Uma piscina tenebrosa


(Pastor Marcos)


Enquanto a esfera pública brasileira (se é que realmente existe) fica à espera de um esclarecimento consistente, por parte da imprensa, sobre as tenebrosas relações entre seitas e políticos, o sentimento geral é, no mínimo, de perplexidade. De fato, é difícil avaliar com outro ânimo a notícia do apoio dado por parlamentares cariocas (consta que a bancada evangélica co Rio tem 60 políticos) ao pastor preso sob a acusação de dezenas de estupros e de prováveis assassinatos de testemunhas das orgias. Veja-se bem: a manifestação de apoio foi imediata, automática, antes de qualquer pausa reflexiva para a averiguação da realidade dos fatos.
O assunto é grave, não há como aplainá-lo moral ou esteticamente, mas ele comporta aspectos de uma das espécies do gênero gro

Nhá Chica é uma santa negra que nasceu escrava?



(Foto: Duke)Até parece que a negritude é empecilho à santidade!Fátima OliveiraMédica – fatimaoliveira@ig.com.br @oliveirafatima_

Nhá Chica, a santinha de Baependi, eu sempre soube que era uma mulher negra. Foram uma surpresa os comentários sobre o embranquecimento de sua imagem, entronizada na igreja de Nossa Senhora da Conceição, no dia de sua beatificação (4 de maio de 2013). [A imagem de Nhá Chica esculpida pelo artesão Osni Paiva, renomado santeiro de São João Del Rei (MG)]Não há dúvida de que Nhá Chica era negra. Mas por que a imagem não a retrata como negra? Eu não vi a imagem, apenas fotos, mas quem viu diz que ela é fenotipicamente (aparência) branca. Fiquei indignada! Estou disposta a ir a Baependi conferir. Como se diz no Maranhão: “Ver de perto pra contar de certo”.